Lições que aprendi ao longo da minha jornada profissional e que gostaria de ter ouvido antes
- Josiele Batista

- 8 de fev.
- 4 min de leitura
Eu venho de uma cidade do interior de São Paulo, com menos de 50 mil habitantes, e carregava na bagagem o sonho de ser jornalista esportiva. Ou de trabalhar em uma redação agitada, vivendo o jornalismo no seu ritmo mais intenso. Esses sonhos me impulsionaram a chegar até aqui e, de certa forma, nunca saíram da mala. Minhas escolhas me levaram por outro caminho, diferente do que imaginei, mas que também me orgulho muito.
Quando olho para trás, penso em quantos passos pesados e difíceis foram necessários para construir a minha jornada profissional (e olha que estamos falando só de sete anos). Muitas decisões foram pautadas em realização, claro, mas também em uma pressão silenciosa: eu não podia falhar. Tinha que dar certo.
Foram muitos medos vencidos e desafios enfrentados, que se transformaram em aprendizados ao longo do caminho. E é exatamente por isso que escrevo este artigo: para compartilhar algumas dessas lições e, quem sabe, te ajudar de alguma forma, independentemente do momento que você esteja vivendo na sua trajetória profissional.
Sua graduação é importante para sua jornada profissional
Sou jornalista e, desde o primeiro dia da faculdade, ouvia comentários como: “mas para ser jornalista nem precisa de graduação”. Se alguém disser algo assim para você, é muito importante que você não acredite. Eu, sinceramente, ainda não vi um profissional consistente atuando na área sem formação.
Mas também estou aqui para te falar que a graduação vai muito além do diploma. Ela oferece base teórica, repertório, contato com as raízes da profissão, com grandes nomes da área e, principalmente, a oportunidade de descobrir se aquele caminho realmente faz sentido para você, com seu propósito. Formação também é autoconhecimento profissional.
Planos podem (e vão!) mudar
Como contei lá no início, meu sonho de infância, que me acompanhou até o começo da faculdade, era ser jornalista esportiva. No entanto, ao longo do caminho, novas oportunidades surgiram. Quando precisei estagiar, outras portas se abriram e fui trilhando o caminho da comunicação interna e corporativa.
Mais tarde, em 2023, vivi outra mudança importante: saí do marketing e fui para T&D — Treinamento e Desenvolvimento. O que quero te dizer com isso é que ter um objetivo é fundamental, sim. Mas, quando os planos mudarem, não há problema algum em se reencontrar no meio do caminho.
Tenha um objetivo central, mas permita que ele se realize de diferentes formas e em diferentes contextos. Esse é um conselho muito pessoal, que carrego comigo.
Adaptar-se ao novo é fundamental
Tenho mais de sete anos de carreira e vivi transformações intensas: da pandemia de Covid-19 à chegada da Inteligência Artificial com força total. Foi nesse período que percebi que muito do que eu achava dominar precisava ser revisto, ou simplesmente deixava de fazer sentido.
Não é confortável. Nunca fui fã da ideia de “trocar a roda do caminhão com ele andando”, mas foi necessário. O mundo pedia mudança, e resistir significaria ficar para trás. Por isso, não se prenda a uma mentalidade fixa, a um único padrão ou caminho. Esteja aberto ao novo, à inovação e à reinvenção constante.
Revisão é diferente de abuso moral
No jornalismo, a revisão faz parte da rotina. O senso crítico é constante, e isso é essencial. Um olhar mais experiente, sem vícios, consegue identificar redundâncias, inconsistências e erros que já não enxergamos depois de tantas leituras. É nesse processo que evoluímos como profissionais.
Mas existem também os “apontadores” de criatividade. Faço aqui uma analogia ao apontador de lápis: quanto mais aponta, mais consome o grafite (no caso, a sua criatividade ou essência). Essas pessoas (que podem ser chefes ou não) disfarçam abuso moral ou críticas pessoais sob o pretexto de uma revisão técnica. Infelizmente, isso é comum.
Meu conselho, vindo do fundo do coração, é: aprenda a diferenciar essas situações e estabeleça limites assim que identificar. Quando passamos a tomar como verdade tudo o que essas pessoas dizem, nossa produtividade cai, as inseguranças crescem e o sabotador interno assume o controle. E a partir daí travamos uma luta difícil, que é totalmente possível de ser vencida, mas acredite: é muito melhor quando evitada.
Esteja aberto a aprender e a melhorar sempre, mas não permita que ninguém diminua sua competência ou coloque em dúvida seus conhecimentos.
É possível ir além. Sempre.
Os desafios existem para nos fazer crescer. Sempre que surgir a oportunidade de assumir um novo projeto, fazer uma apresentação importante, ser visto, ou até aceitar uma proposta melhor, com mais responsabilidades: vá. Essas oportunidades não chegam por acaso. Afinal, lembre-se de que pessoas ao nosso redor também conseguem enxergar nosso potencial.
Você pode pensar: “ainda não estou pronto”. E a verdade é que ninguém nunca está. A gente se constrói no processo, fazendo. Competência também se desenvolve na prática. Não se acovarde. Se você reconhece que é capaz, mesmo sem nunca ter feito algo antes, apenas faça.
Existe um vídeo do Will Smith em que ele conta sua experiência ao pular de paraquedas: o medo intenso antes e a percepção, depois, de que foi uma das melhores experiências da vida. Ele conclui que: as melhores coisas estão depois do medo. E eu levo isso comigo e te convido a adotar essa mentalidade também.
Respeite a sua jornada
Para encerrar, algo essencial: respeite tudo o que você construiu até aqui. Comparar-se com os outros é tentador, mas extremamente perigoso. A comparação nos cega e nos faz acreditar que nossa trajetória foi pouco, insuficiente ou errada.
Valorize-se. Lembre-se de onde saiu, do que enfrentou e entenda que suas versões anteriores tinham bons motivos para cada decisão tomada. Elas te trouxeram até aqui.
E isso já diz muito sobre quem você é.
Comentários